[D30D] Um mês sem redes sociais

Em meados de junho decidi que ia passar um mês sem usar redes sociais. Precisava de me focar mais e achava que as redes sociais me estaam a distrair.

Os resultados desta experiência ensinaram-me muito – mas não exatamente o que eu esperava!

Há cerca de mês e meio que decidi fazer uma pausa na minha atividade (e consumo) em termos de redes sociais. A ideia por detrás deste desafio de 30 dias foi que estava a sentir-me assoberbada de trabalho ao mesmo tempo que arrranjava à mesma oportunidade de usar as redes sociais.

Imaginava que se canalizasse essa energia para o meu trabalho, que rapidamente as coisas ficariam mais equilibradas.

Mal não fez. Mas não foi a panaceia que eu imaginava.

(Photo Illustration by Lorenzo Di Cola/NurPhoto via Getty Images)

Primeiro tenho de confessar que a rede que mais falta me fez – e paradoxalmente aquela que agora mais facilmente dispenso – foi o Instagram. Gostava de ter nas pontas dos meus dedos uma revista feita à minha medida (num perfil) e também notícias fresquinhas dos meus amigos (num outro canal). Era uma app que eu usava imenso nos momentos de espera ou momentos “mortos” e durante os primeiros dias dei por mim à procura da app no telemóvel quase inconscientemente, sem percber muito bem porque é que tinha ligado o display, lá estava eu à procura do Instagram.

Demorei a adaptar-me, mas lá consegui.

Nos tempos “mortos” e de espera, passei a consultar a app do New York Times de que tanto gosto e descobri um puzzle da marca que agora eu e o Edgar gostamos de fazer juntos (o que foi um grande achado porque nos divertimos imenso a fazê-lo e é tempo que passamos a fazer algo em conjunto). Também comecei a ler o Público mais regularmente e todas estas atividades me parecem mais interessantes e frutíferas do que o Instagram, apesar de tudo.

O facebook, onde já não passava muito tempo não foi desafiante largar e o linkedIn também não – mas curiosamente tive quebrar o meu compromisso de não usar estas redes algumas vezes por motivos profissionais (anúncio de cursos e iniciativas minhas) e de solidariedade (anúncio de ofertas de emprego de que tomei conhecimento).

Dei por mim a ter mais saudades dos meus amigos e a telefonar a mais pessoas, o que foi um ganho indubitável.

Nos primeiros tempos, a ausência de redes sociais foi rapidamente canalizada para o meu email, que comecei a conseguir acompanhar de forma muito mais eficaz, mas passado algum tempo passei a devotar mais tempo a jogar online, que é o meu vício difícil.

Hoje mesmo dei por mim a procurar online estratégias para lidar com o vício do videojogo e percebi que tinha procurar a razão pela qual me dá tanto gozo jogar e porque é que não consigo abandonar essa atividade. Eu sei porque é! É porque tenho muitas vezes a sensação de estar assoberbada e cansada e precisar de parar e como não me permito fazê-lo, jogo o tal jogo que me possibilita sentir que estou a descansar ao mesmo tempo que estou a cumprir tarefas.

No site que consultei com estratégias para ultrapassar este vício sugeriam procurar alternativas de atividades e ocorreu-me uma relevante: escrever nos meus blogs! É uma atividade que me dá tanto gozo, e que (mal ou bem) sempre acaba por produzir alguma coisa.

E assim, curiosamente, volto ao ponto de partida, porque a blogosfera pode ser considerada de alguma forma uma rede social.

O que aprendi este mês é que o consumo de redes sociais deve ser mais restrito do que eu estava a fazer, deve ser mais consciente e mais focado. E que idealmente deve acompanhar a possibilidade de falar diretamente com as pessoas por telefone ou pessoalmente – algo que não estava a acontecer da mesma forma que aconteceu este mês.

As redes sociais dão-nos a sensação de estarmos ligados a outras pessoas sem realmente estabelecerem laços significativos – e é por isso que as pessoas acabam mais alienadas em vez do contrário. É fundamental procurarmos estar com as pessoas e conversamos de viva voz com elas (o que me dá umas saudades mesmo grandes dos jantares em minha casa, das tardes de esplanada, das noites de conversa até de madrugada… Xô COVID!!).

Por outro lado percebi também a importância das redes sociais para o meu trabalho e os meus projetos: de facto é importante podermos dizer aos outros as oportunidades que vamos encontrando e criando. A vida só faz sentido partilhada e não tem lógica não usar esse meio. A chave é não deixar que as redes sociais monopolizem o nosso espaço mental consciente e inconsciente, mas usarmos esse meio como forma de constribuirmos para os outros e para nós.

A ausência das redes sociais criou ainda a oportunidade para pensar de forma mais direta e sem rodeios na minha missão e no meu trabalho. Como posso fazer com que esta coisa coisa que me ocupa tanto tempo tenha ainda mais sentido e contribua mais para a vida dos outros? Não posso dizer que esta introspeção tenha começado agora (levo anos nisto!), mas acho que dei passos significativos, para ser sincera (um dia conto-vos tudo!).

Nada disto teria acontecido se não saísse da minha zona de conforto e tentasse algo novo e desafiante. Gosto mesmo desta coisa dos desafios de 30 dias!

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