[ó da casa] organizar a casa

Há anos que tento ser uma pessoa mais organizada. Não vou dizer que tem sido um sucesso retumbante, mas estaria a mentir se dissesse que esta missão tem sido um fracasso; não querendo ser demasiado cliché, penso que tem sido uma viagem.

Desde os meus “vintes” que leio livros sobre organização. Já li de tudo um pouco, da Julie Morgenstern, à Martha Stewart, David Allen, Andrew Mellen, a livros de Feng Shui e mais recentemente a Marie Kondo e outros autores na área do minimalismo (especialmente Leo Babauta, o Joshua Becker, a Courtney Carver e o Joshua Fields Milburns e o Ryan Nicodemus).

Apesar de as leituras em si me fazerem sentir melhor e me darem boas ideias, mais coisa menos coisa dou sempre por mim a voltar a um estado de desarrumação e desorganização.

A questão, além de estética (um espaço arrumado é mais bonito) é também funcional (saber onde estão a coisas) e mesmo económica (não deixar coisas estragar, não comprar coisas em duplicado), além de ser também ecológica (pela maximização de recursos).

Durante a quarentena e com tanto tempo passado em casa tomei consciência de quão pouca noção tinha das coisas que tinha em casa e onde estas estavam. E decidi que assim que tivesse oportunidade iria organizar tudo o que está por cá. Nessa fase não tive oportunidade de fazer uma mega organização de coisas como algumas pessoas que conheço porque estava com um horário de trabalho super apertado e com a vida familiar intensificada. Então, no verão lá consegui “dar uma volta à casa”.

No meu processo a chave foi – e eu sei que parece ridículo – tocar em todas as coisas que possuo.

Eu sei, soa estranho e ao mesmo tempo ideia não é nova. Sodona Marie Kondo sugere tocar nas coisas para ver se “spark joy”. O meu intuito não é esse (possivelmente não estou nesse elevado nível de organização), é simplesmente mexer em todas as coisas cá em casa para ter a certeza que tomei contacto com elas e que não “achava que sabia” o que estava numa gaveta sem realmente lá ter andado. Fez mesmo muita diferença.

Mexer nas coisas emvez de simplesmente as ver umenta a consciência do que temos, mas também onde estão as coisas e frequentemente quem poderia beneficiar de possuiros objetos que já não valorizamos tanto. O sentido do toque ativa emoções e processos cognitivos que a simples visão não elicita; ação de esvaziar uma gaveta, permite ver o espaço vazio e perceber o que temos de facto (e limpar esse espaço vazio!); e mesmo que a intenção não seja de reduzir o número de coisas em casa, o simples facto de as cosas mudarem de sítio aumenta a probabilidade de utilizarmos o que temos e de as coisas que não usamos serem naturalmente descartadas, como se fosse um bocado de areia a passar numa rede fina.

Depois de tomar contacto com as coisas, a fórmula é sempre a mesma com todos os autores:

  1. Pôr “like with like”, ou seja, objetos com a mesma função ou um teor similar devem ficar juntos. Isto pode ser mais detalhado ou mais lasso. Por exemplo, cá em casa temos uma caixa cúbica da IKEA para onde vão todas as coisas de tecnologia, desde as pilhas de diferentes tamanhos, às colunas pequenas, aos cabos, etc. O mais comum é atirar-mos lá para dentro e sem grande cuidado as coisas de tecnologia que queremos “arrumar”, mas o certo é que quando precisamos de pilhas ou um cabo ou um carregador há um sítio onde ele pode estar.
  2. Pôr os objetos mais utilizados mais facilmente acessíveis.
  3. Ir dando, vendendo ou deitand fora o que já não interessa 
  4. E também… No fim de cada ciclo, voltar ao princípio e limpar+organizar o que entretanto caiu em entropia

Pois é, ao contrário de Sodona KonMari, não acho que dê para fazer as coisas de uma assentada e nunca mais ter de organizar outra vez. Sorry, não dá. Nós somos seres dinâmicos e vamos gerando confusão quer queiramos quer não. Temos pressa ou estamos atrasados, temos ideias e projetos novos, compramos coisas, mudamos de opinião, começamos hobbies… A mim parece-me inevitável que tenhamos periodicamente de tocar/ mexer nas nossas coisas para ter a certeza que estão organizadas/em dia/fazem sentido anda para nós (ou então para as doarmos/vendermos/deitarmos fora).

Nem sequer acho muito exequível para a maioria das pessoas fazer arrumações totais e pronto. E acreditem que eu tentei isso inúmeras vezes durante a minha adolescência o que resultava invariavelmente em grande frustração. Acho que é mais viável ir aos bocadinhos e em diferentes vezes, tornar num momento de satisfação e não de cansaço e “já nem posso olhar mais para isto”.

É inevitável mexer em tudo e não deitar fora o que já não interessa (a começar por faturas de supermercado de há 2 anos ), limpar o que tem pó (hello gavetas) e organizar as coisas que achavamos que andavam perdidas. Depois mexer nas nossas coisas temos uma noção mais clara de onde temos os nossos pertences bem como o que temos a mais (e podemos doar ou vender) ou o que está em falta.

O Joshua Fields Milburn e o Ryan Nicodemus usam a frase “use things” como uma espécie de lema ou tag line, relembrando que a ideia de minimalismo não é ter menos coisas só porque sim, mas que a ideia é sermos responsáveis com os nossos recursos e de facto darmos uso às coisas que adquirimos e mantemos connosco.

Há uns anos li um texto lindíssimo (já não me recordo do autor) sobre um objeto que herdara do pai. O objeto em si não tinha “utilidade” para ele, mas o pai usara-o tanto e tinha-o sempre por perto que o objeto adquiriu um estatuto de sinónimo com aquela pessoa e por isso passou a ser um bem sentimental. O autor diza que fora o tempo que o pai passara com aquele objeto que o tornara especial.

Acredito que organizar as coisas que temos faz com que as coisas que mais gostamos se tornem mais acessíveis a nós e se estraguem menos, que faz com que seja mais simples sabermos o que temos para fazer e sobretudo que o temp qe gastamos seja mais bem aproveitado (seja lá como escolhamos fazê-lo) – e esse é na verdade o melhor dos prémios de qualquer atividade.

 

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