Carta aberta para companheir@s de mulheres grávidas: um guia de sobrevivência rápido

A chegada anunciada de um novo membro da família é geralmente uma grande alegria. E depois vêm os longos meses da gravidez que podem desorientar @ mais dedicad@ d@s companheir@s. No entanto há apenas duas coisas que precisam de saber e as vossas vidas podem melhorar significativamente!

Não há duas grávidas iguais (e consta-me que mesmo as gravidezes podem ser diferentes entre si). É um facto incontornável que um ser humano a desenvolver-se nas entranhas de outra pessoa é algo de maravilhoso e arco-íris e colibris, mas também é exigente do ponto de vista físico e que as alterações hormonais, desejos, enjoos, impossibilidade de tomar medicação eficaz para coisas como enxaquecas (que podem não desaparecer) tornam a situação especialmente desafiante. Por isso vamos já esclarecer uma coisa importante, que é de tudo o que aqui será escrito o que mais é para reter. Prontos? É isto: a grávida tem razão. Quando? Sempre.

Especialmente para os companheiros ou companheiros das grávidas: ela está a fazer o rebento da vossa família? São direta ou indiretamente responsáveis pelo estado? Ainda mais se aplica. Repitam comigo: a grávida tem sempre razão.

A grávida disse que queria muito ir dar um passeio ao final da tarde e vocês estão prontíssim@s a sair até combinaram com não sei quem e de repente ela diz que está demasiado cansada ou que não lhe apetece? A resposta a esta situação é “sim, querida, tens razão, é melhor ficarmos.”

Compraram meia dúzia de figos por um rim e dois favores sexuais ao senhor da mercearia porque a grávida disse que queria muito e quando chegam a casa com o presente, ela diz que afinal já não os vai conseguir comer? “Sim, querida, deixa estar não te preocupes” (com um sorriso na cara à frente da grávida – podem ir chorar para a casa de banho depois).

A grávida tem um ataque de choro porque sente que vocês não lhe estão a dar atenção/porque se sente feia/porque acha que não é capaz de lidar com a situação? “Sim querida, desculpa.” Seguido de “amo-te muito” e “tenho a certeza que vais ser uma ótima mãe”. Para extra pontos, “o que é que posso fazer por ti?” e se a resposta for “nada”, saquem do boião do creme e ofereçam uma massagem aos pés enquanto gramam um episódio da série que ela gosta mais.

A grávida no fundo não é só como um ovo Kinder com o brinquedo lá dentro à espera de sair; é também um pouco como uma bomba relógio hormonal. Imaginem uma mulher que está em constante tensão pré-menstrual, com pequenos intervalos que nunca se sabe quando vão suceder. Pode ser uma janela temporal de minutos, dias ou horas, e ninguém, nem a própria grávida consegue prever. Acrescentem a isso cansaço adicional, consultas médicas frequentes (e a frustração que deriva de lidar diretamente com o SNS), dores esquisitas, dúvidas existenciais sobre o sentido da vida e a identidade pessoal, um manancial de informação esmagador a absorver, o corpo constantemente a mudar e pelos que crescem a uma velocidade estonteante. Estão a ver?

Não recomendo contrariar uma grávida exceto em situação de extrema necessidade/insanidade e mesmo nesse caso, sugiro que tal seja feito com algum distanciamento e extremo cuidado.

De um momento para o outro a grávida pode:

  • desatar a chorar, com baba e ranho
  • ficar furiosa de forma desproporcional e quase imediata
  • ficar muito carente e precisar de muitos mimos
  • precisar do espaço dela e que a deixem em paz

Não é fácil lidar com este especimen, mas enfim, é ela que está a desenvolver a vossa descendência por isso, caríssim@s: aguentem-se à bronca e não piem muito, porque depois destes 9 meses muito giros ainda a grávida vai ter de parir a vossa cria e consta que essa experiência não é parecida com umas férias nas Maldivas.

Em conclusão

  1. repitam comigo em coro “a grávida tem sempre razão”
  2. treinem comigo a resposta que devem ter sempre na ponta da língua para as vossas futuras mamãs preferidas: “sim, querida”.

Seguindo estes conselhos e com alguma sorte, ainda conseguirão avistar esse fenómeno mágico que é a grávida que pede desculpa por ser sido tão impulsiva ou irascível e a dizer (não quero azarar aqui nada nas vossas vidas, mas pronto vou escrevê-lo à mesma) “desculpa, tu é que tinhas razão, meu amor”.

Se tudo o resto falhar, tenho mais duas palavras de esperança para vós e com isto concluo: mamocas maiores. Estamos conversados? Boa sorte!

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