[Mãe!] 13 regras para visitar uma família que acaba de ter um bebé

A chegada de um bebé é geralmente um momento de grande felicidade. Amigos e família querem poder partilhar da alegria de receber um bebé, acorrendo em visitas ao novo rebento. No entanto, há coisas importantes que convém lembrar para que esta partilha de alegria não traga consigo alguns inconvenientes.

Toda a gente quer ver o bebé que acaba de nascer e estar com os pais da criança. Um nascimento é uma coisa alegre, esperançosa, o início de uma grande aventura e os amigos e família geralmente gostam de “dar a sua benção” quando podem.

No entanto, como nem toda a gente passou pela experiência (ou se lembra como foi), aqui ficam algumas ideias que recolhi quando o João era recém nascido e que me parecem boas práticas. Salvaguardo que, como somos todos diferentes e estas são as coisas que eu sugiro, poderão não se aplicar com a família que visitam: o essencial é perceber o que os vossos amigos/familiares querem e precisam e agir em conformidade.

De qualquer forma aqui ficam as minhas 12 sugestões:

 

1. Visitar logo depois do nascimento pode não ser boa ideia.

É frequente família e amigos quererem ver o bebé assim que ele nasce, ou o mais rapidamente possível. Isso é muito querido e é fofo da vossa parte manifestarem interesse em fazê-lo assim que os pais possam, mas não sejam “melgas”.

Quando um bebé nasce, está mais debilitado em termos de defesas e o seu organismo pode reagir mal a receber muitas pessoas/bactérias diferentes. Como se não bastasse, a vida dos pais está virada do avesso, com noites mal dormidas e alguma desorientação devida ao cansaço, novas rotinas e o peso da responsabilidade por um pequeno e indefeso ser humano.

Assim, façam sentir o vosso interesse mas:

a) não apareçam sem avisar – não, nunca, jamais, em tempo algum apareçam sem avisar. A casa pode estar em pantanas, o bebé a dormir, os pais a precisar de repousar e sem capacidade de fazer conversa com visitas para as quais não estão preparados

b) respeitem o tempo que a família vos pedir – isto é, se os pais pedem que não haja visitas antes do final do primeiro mês, temperem o entusiasmo e respeitem sem criticar. As crianças são frágeis e as famílias precisam do seu tempo para se ambientar. Não significa que gostem menos de vocês, significa é que reconhecem que precisam de se cuidar e organizar nesta fase mais vunerável – e ainda bem!

c) ir ver o bebé ao hospital é só mesmo se forem família direta ou muito próximos da família e tiverem sido convidados/tiverem combinado isso antecipadamente.

Pessoalmente, a menos que a família tenha convidado expressamente para os primeiros tempos/for esse o tipo de relação que vocês têm com os pais do bebé, recomendo deixar passar pelo menos um mês antes de fazer uma visita. Vai haver imeeeeeeenso tempo para visitas após as “romarias” iniciais, onde poderão todos estar muito mais à vontade para partilhar experiências, conversar sobre tudo e pegar no bebé.

 

2. Antes de tocar no bebé lavar bem as mãos e/ou desinfetar

Uma pessoa chega da rua e mal pousa o casaco quer pegar na cria, fazer festinhas e segurar as mãozinhas muito papudas. STOP. Vão à casa de banho, lavem as mãos muito bem e se possível desinfetem com um pouco de alcool-gel.  

Não custa nada e pode ajudar a que a criança não fique doente logo quando nasce, o que pode ser uma enorme chatice (para dizer o mínimo).

 

3. Não dar beijinhos nas mãos do bebé e de preferência não dar beijinhos de todo

Os bebés levam mão boca constantemente, não dêm beijinhos nas mãos dos bebés. Se possível não dêm beijinhos ao bebé de todo… As nossas bocas estão cheias de bactérias que os organismos dos bebés nem sempre conseguem tratar, por isso evitem, sim?

Tudo isto parece exagerado, mas não é: mesmo o argumento “os bebés têm de desenvolver o sistema imunitário, têm de se expor a bactérias” só vale a partir do momento que já existem algumas bases para o desenvolvimento da tal imunidade. Especialmente se visitarem bebés prematuros, nascidos com baixo peso ou alguma fragilidade adicional, é preciso ter muito cuidado.

Se querem muito dar um beijinho e tem mesmo de ser, dêem na nuca do bebé ou nos pezinhos por cima da roupa, é a minha sugestão.

 

4. Se o bebé está a dormir NÃO acordar o bebé

Esta também parece óbvia, mas não é. As pessoas estão muito entusiasmadas com o nascimento da criança e querem muito ver o bebé de olhos abertos e interagir com ele/ela. Nem sempre têm a sensibilidade ou o bom senso de deixar descansar um bebé que dorme e fazem barulho, pegam na criança ou agitam a mesma para que desperte.

O sono das crianças é fundamental para o bom desenvolvimento e um bebé com privação de sono chora muito. Digamos assim: o sono das crianças é sagrado. Não acordem um bebé que dorme, se o podem evitar – e tentem a todo o custo respeitar esse descanso.

Afinal de contas quando se visita um bebé, são os pais que se lembram do momento, não é numa única visita de uma hora que vão estabelecer um laço para o resto da vida com aquele pequeno ser: convivam com os pais se a criança está a dormir e admirem o bebé de longe.

 

5. Visitas curtas e fora do horário de refeições são o ideal

Não se façam de convidados para jantar, almoçar ou lanchar sequer. A vida com um bebé não é a mesma que era antes, onde qualquer uma destas atividades apenas requeria “cozinhar/encomendar comida, disfrutar, arrumar”. Com um bebé, a parte do disfrutar pode desaparecer por completo por causa de choros, cólicas, sono, fome, etc. A parte do cozinhar e arrumar pode ser mais do que a família consegue gerir nesta fase. 

Deixem que a família diga quando é mais conveniente receber visitas e cumpram escrupulosamente esse horário. Sugiro que tentem não ficar mais de uma hora e que digam de vossa própria iniciativa que têm de ir embora após esse tempo – muitas vezes as pessoas não dizem nada por uma questão de educação, mas a visita já está a ser penosa. Se ficarem mais tempo/ficarem para jantar ainda assim, cuidem de ajudar a arrumar o mais possível após o repasto.

 

6. Não pegar no bebé sem autorização e fazê-lo com calma e em segurança

Devem pedir sempre autorização para pegar no bebé e fazê-lo de forma calma e segura: um bebé não é um boneco. Tive pessoas que queriam tanto pegar no meu bebé que o fizeram sem eu contar, em movimento e no que me pareceu serem situações pouco seguras, o que me deixou sempre com o coração nas mãos. Mesmo quando pedia para se sentarem as pessoas desconsideravam esta preocupação, porque “obviamente” tinham muita capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo… *suspiro* Não façam isso, ok?

 

7. Se há dúvidas sobre o que levar, levar comida

De preferência comida boa e saudável. Quando se recebe um bebé nem sempre se consegue tempo/organização mental/energia para ir às compras e cozinhar. Se tem à vontade com a família, leve fruta, comida caseira, sopa, pão… Etc. Se não tem familiaridade, leve comida à mesma, nem que sejam umas bolachinhas da confeitaria para o café.

 

 

8. Se está doente, não visite – e se tem miúdos doentes não visite mesmo

Pingo no nariz ou uma tossessinha ligeira podem ser motivos suficientes para suspender a visita ao bebé pequeno. Se tiver de visitar à mesma por algum motivo, use máscara e evite demasiado contacto com o bebé. Neste caso é ainda mais importante lavar e desinfetar muito bem as mãos.

Esta realidade é especialmente importante se quem está adoentado for uma criança, pois é extremamente difícil que compreendam a necessidade de resguardar/ou mesmo que consigam de alguma forma controlar a sua tosse, espirros, etc.

Não é bonito ver o miúdo de 3 anos que não conseguem evitar que faça festinhas ao vosso bebé tossir pertíssimo da cara dele… no momento em que o vosso infante abriu a boca num enorme sorriso…

 

9. Evite comentários negativos

Comentários reprovadores/negativos podem sair diretamente pela porta onde não deveriam sequer ter entrado. Todos nós estamos a fazer o nosso melhor com todas as forças e conhecimentos de que dispomos, por isso, se tem uma opinião diferente sobre como fazer as coisas guarde-a muito bem a menos que lhe perguntem o que acha. 

Comentários negativos à mãe, seu aspeto, ar cansado, irritabilidade, forma física, indumentária, etc. são proibidos. Depois de parir uma pessoa já tem o que a apoquente o suficiente para ainda ter de ouvir que parece que foi atropelada por um camião TIR, obrigada.

De evitar também palpites e opiniões sobre o rebento, educação e escolhas dos pais, em especial relativamente à amamentação/alimentação do bebé (tive um familiar do género masculino que quis dizer-me como é que eu deveria dar de mamar ao meu filho o que, convenhamos, é hilariante por si só mas também bastante enervante).

Se acha que a pessoa está a fazer alguma coisa que periga a saúde do bebé e não se está a aperceber, ou se a pessoa não percebeu/notou uma coisa qualquer com a criança, diga-o da forma mais apoiante possível e sem deixar a pessoa a sentir-se mal: faça-a sentir que está do lado dela e que reconhece que está a dar o seu melhor.

Dou um exemplo: o JR é um bebé gordinho e no princípio eu achava esquisito uma espécie de rugosidades na pele com mau cheiro que lhe apareciam atrás da orelha – quando lhe passava água ali, o cheiro intensificava. Cheguei a pensar que era um problema nos ouvidos ou um eczema. Uma amiga enfermeira disse-me com simplicidade 1. que não me preocupasse pois não se tratava de nada de grave ou qualquer doença, 2. que era muito comum isto acontecer com os bebés mais gordinhos e 3. aquilo era leite que escorria sem eu ver quando ele mamava e ficava ali grudado, era só uma questão de limpar com mais cuidado e regularidade aquela zona, bem como os refeguinhos do pescoço do bebé 4. que eu não me sentisse mal porque acontece a toda a gente este tipo de coisa. Reparem que não me disse “ai por amor de Deus, que nojo… Não vês que é leite azedo?? Tens é de limpar o miúdo em condições várias vezes ao dia! Sinceramente, estas mães hoje em dia parece que não sabem nada, que falta de higiene, ainda pões o miudo doente”. Percebem a diferença?… Ambas transmitem a solução para o problema, mas uma deixou-me tranquilizada, a outra humilhar-me-ia e inibir-me-ia de voltar a pedir ajuda àquela pessoa no futuro. Uma boa atitude faz toda a diferença!

 

10. Não fumar perto e evitar usar cheiros fortes (perfumes e cremes) perto do bebé

A parte do fumar parece-me por demais óbvia… Fumar faz mal a quem fuma e a quem leva com o cheiro, especialmente se se trata de uma criança pequena. Na maternidade sugiriam-me no curso de preparação para o parto que tivesse cuidado com os perfumes fortes junto da criança por estas serem mais sensíveis aos cheiros; se sabem que vão estar perto do bebé, porque não fazer essa gentileza? 

 

11. Pedir sempre autorização para fotografar 

Pedir autorização para fotografar o bebé e não publicar ou partilhar qualquer foto da criança sem a expressa autorização dos pais. Todos temos opiniões diferentes sobre como tratar a imagem dos nossos filhos e todas serão as mais válidas para nós; amigos e familiares devem respeitar essas mesmas opções.

 

12. Respeitar as regras da casa

Se vos pedem para descalçar os sapatos não se façam de rogados, se vos pedem que falem baixo, acedam, etc. Ajudem o mais possível os vossos amigos e familiares respeitando o seu espaço e as suas rotinas, mesmo que não coincidam com as vossas. Reconheçam que a casa é deles e as regras devem ser aquelas que eles ditam. 

 

13. Não esquecer os irmãos mais velhos

Fazer igual festa aos irmãos mais velhos, salientar o papel importante que vão ter na vida do/a pequenino/a, etc. Os irmãos mais velhos sentem-se frequentemente desvalorizados com a chegada de um novo bebé a quem toda a gente quer atender… Se possível, levem um presente também para os irmãos mais velhos e não apenas para os pequenos: eles continuam a ser importantes e é crucial que percebam isso para que não fiquem ressentidos com o/a mano/a mais novo/a.

 

Pensamento final: o reverso da medalha

Se estão a receber visitas e foram pais há pouco tempo, deixem-me fazer uma sugestão também: não tenham medo de expor as vossas opiniões e de fazer valer as vossas regras. Nem sempre é fácil, pois não queremos ofender a família e os amigos, especialmente os mais velhos e os mais pequenos, mas se algo é importante para vós, digam e ajam, já que este é o vosso bebé e se ficar doente ou algo lhe acontecer, serão vocês a cuidá-lo e a ter de consolar o seu choro. Os amigos de verdade e a família que vale a pena não desaparecerão do mapa só porque vocês foram superprotetores com o vosso bebé, ou lhes pediram para tirar os sapatos em casa. Habituem-se de resto a ouvir que são exagerados, que não têm razão, que não sabem o que estão a fazer ou que estão a fazer mal: toda a gente tem opiniões que gosta muito de dar sobre as crianças, especialmente as mais pequenas e quanto pior for a situação em que se encontram, mais vos querem “aconselhar”.

Aceitem que têm as costas largas e deixem de se importar de vez com o que dizem de vós e das vossas opções: a vida é muito mais fácil assim e haverá sempre quem critique, façam o que fizerem.

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