[D30D] um mês com tempo de ecrã limitado

Em dezembro de 2018 fiz um mês em que procurei não usar o pc para finalidades que não fossem trabalho, porque me apercebi que gastava imenso tempo online, mas era pouco produtiva. Não foi fácil, mas os resultados foram incríveis.

O início do mês foi difícil. O vício é real, como eu dizia: é extremamente difícil quebrar hábitos muito enraizados!

Durante a minha baixa antes de o João nascer apercebi-me que andava sempre com o portátil atrás de mim, com o objetivo específico de trabalhar, mas era pouco produtiva, porque estava com pouca capacidade de concentração; e quando não me autoenganava com essa desculpa esfarrapada, acabava os dias mais triste e cansada, mesmo sem ter feito nada de trabalho.

Foi quando decidi desafiar-me a fazer 30 dias de tempo de ecrã limitado: 60 minutos por dia apenas para tudo o que não fosse trabalho que eu quisesse fazer no computador.

Porquê esta filosofia dos 60 minutos?

Porque me pareceu pouco realista tentar fazer as coisas como no passado em que tentei desligar do nada e depois fiquei simplesmente com a ressaca do século em termos de utilização de “e-hobbies”. Passado o mês da abstinência tinha uma reação de “compensação” brutal e não conseguia desligar-me novamente.

Também porque estava muito “agarrada” ao computador e achei que não conseguiria fazer o “desmame” da “droga” assim do nada.

O que mudou neste mês?

Quase imediatamente comecei a gastar mais tempo de qualidade com a minha família. Sem o pc para ver coisas no youtube, dei por mim a passar os serões com a minha mãe, a enfiar-lhe as linhas nas agulhas para os bordados, a fazer-lhe desenhos nos lençóis e fraldas e a tratar dos pés dela.

Não sendo grande fã de novela, usei os serões com a minha mãe para fazer dezenas de origamis que tinha prometido à minha amiga Margarida e que havia tempos que queria fazer, mas nunca mais punha as mãos à obra.

Quando acabou o papel de origami, fui buscar as aguarelas que comprara no verão e em que nunca mais tinha pegado, que vinham com um conjunto de postais para pintar e decidi aprender a usá-las. Passei excelentes serões na cozinha com a minha mãe a bordar e ver a novela e eu a pintar a aguarela.

Escrevi e enviei estes postais a algumas pessoas.

Há uns anos tinha comprado umas contas para fazer uma mandala: fiz a mandala finalmente (vou ter de refazer porque o fio entretanto partiu…).

Arrumei IMENSA coisa. Pus a reciclar montes de coisas que estavam simplesmente a ganhar pó em casa dos meus pais. Ofereci coisas que estão em bom estado mas que eu não usava. Ofereci coisas que comprei para projetos que simplesmente não pus em marcha e que agora assumi que não vou fazer.

Ofereci prendas que tinha comprado para amigos e família e que simplesmente estavam à espera de serem entregues.

Ofereci coisas no facebook a quem as quisesse primeiro e isso fez com que eu tivesse a enorme alegria de rever uma amiga com quem não estava há mais de 10 anos (e no momento em que nos reencontramos, retomamos a conversa como se apenas se tivessem passados 10 minutos).

Sem a expectativa falsa de estar a trabalhar (e depois não cumprir), fui passear imensas vezes com o namorado e o cão (o que também tinha o nobre propósito de ajudar a convencer o João que tinha de sair cá para fora).

A alegria do Miró, o cheiro a mar e as paisagens lindas que vimos todos esses dias são impagáveis.

Acabei de escrever notas de agradecimento a algumas pessoas e enviei-as por correio, ao estilo americano. Adorei esta experiência, e acho que a devia fazer mais vezes, deveria ser um hábito!

Fiz também um par de esboços para um presente.

O que mudou depois?

Tudo, mas sobretudo porque nasceu o João e a vida com um bebé é “um pouco diferente”…

Gostaria de poder dizer que este desafio me fez perceber que preciso de usar menos o computador para me entreter fora do trabalho, mas isso é falso, não obstante a experiência incrível que tive em dezembro de 2018.

Como dizia no início deste post: é extremamente difícil quebrar hábitos muito enraizados! Não que não perceba as vantagens, mas porque quando tenho um bocadinho de tempo a primeira coisa que acabo por fazer é pegar no pc.

Talvez devesse fazer “um ano de…” tempo de ecrã limitado para ver como corre.

É mesmo capaz de ser uma grande ideia fazer um ano assim.´

One thought on “[D30D] um mês com tempo de ecrã limitado

  1. Cá por casa adoramos o postal 😍 pôs-me a pensar que a geração do João e do Leo se calhar já nem vai saber o que é recebê-los. O nosso está cá bem guardado 😉

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