Enxaquecas: um guia rápido para lidar com o caos

A enxaqueca é uma forma de dor de cabeça (cefaleia) particularmente chata que me faz companhia de há uns anos para cá. Descobri recentemente que é mais popular do que eu imaginava e troquei algumas impressões com outras pessoas acerca da melhor forma de lidar com esta “amiga”. Aqui ficam algumas ideias.

De acordo com o NHS, enxaqueca é um tipo de dor de cabeça latejante que pode incluir náuseas, vómitos, sensibilidade aumentada à luz (fotofobia) e sensibilidade aumentada ao som (sonofobia). É mais comum nas mulheres que nos homens e pode ou não incluir aura (pode também haver aura sem dor de cabeça, enquadrando-se igualmente na enxaqueca).

Da minha experiência pessoal e dos relatos que outros partilham comigo (e com o NHS), a enxaqueca pode ser altamente debilitante, deixando por vezes as pessoas de cama dias seguidos.

Os antecedentes da enxaqueca variam de pessoa para pessoa, podendo estar relacionados com elementos como o stress, questões hormonais ou alimentação.

Se sofrer de enxaqueca o ideal é consultar um/a neurologista. Tipo agora. Força. Vá lá e depois acaba de ler este excelente post.

Pessoalmente, tenho dificuldade em identificar os elementos-gatilho da patologia em mim, mas há algumas coisas que faço e que resultam bem preventivamente e durante as crises; há uns tempos reuni mais sugestões no facebook e elenco aqui todas as ideias que juntamos.

Prevenção da dor

  • Medicação preventiva pode ser chave – acerca disto, não sei se já disse com ênfase suficiente, mas a consulta de neurologia é fundamental
  • Sono: dormir sempre as horinhas necessárias (variam de pessoa para pessoa). Sempre. Ah e tal, mas há uma coisa muito importante. É importante o suficiente para a seguir se ficar sem conseguir trabalhar, suportar a luz ou sair da cama 3 dias seguidos ou mais? Então pronto, temos pena, é preciso dormir.
  • Evitar queijo, enlatados, vinho, chocolate e/ou citrinos (é altamente variável de pessoa para pessoa esta questão alimentar)
  • Exercício (cardio e yoga em particular)
  • Meditação diária

Quando já há dor

  • Beber muita água
  • Pano com água fria (ou saco de gelo envolto em toalha) sobre os olhos (uma variação é uma fralda com argila em pasta dentro)
  • Medicação sem receita: antinflamatórios que podem ou não ser específicos para a enxaqueca (nunca experimentei coisas como “migraleve”, “migraspirina” ou migretil, mas outras pessoas recomendam), o paracetamol, a nimesulida (nimed) ou ben-u-ron (ou ben-u-ron caff); parece que melhor ainda é medicação com receita (já disse que era importante ir ao/à médico/a?), onde se incluem especialmente os triptanos (e.g. Zomig, Relert).
  • Beber café com umas gotas de limão (uma variação é o café com casca de limão)
  • Beber coca-cola
  • Beber cerveja
  • Ficar no silêncio e no escuro
  • Dormir
  • Um duche quente com bastante água sobre os ombros (há também quem sugira um duche pouco quente)
  • Suplementos vitamínicos (referiram-me polivitamínicos com Magnésio)
  • 10 gotas de Belladonna de 15 em 15 minutos, durante 1 hora, depois de 30 em 30 min e por aí fora…
  • Óleo essencial de hortelã-pimenta nas frontes e pulsos
  • Tiger balm (vende-se nas lojas chinesas e cheira bastante a cânfora) nas frontes e pulsos
  • Pressionar o ponto médio do pulso ou outros pontos de acupressão

accupressure-points-new.jpg

  • Yoga muito suave (gosto deste flow infra)
  • Meditação
  • Em alguns casos pode valer a pena ir às urgências hospitalares – a medicação intravenosa tende a atuar de forma rápida e eficaz.

Outras ideias

  • Algumas pessoas referem que a enxaqueca pode ter origem corrigível por ortodentia, e portanto sugerem a visita ao dentista para verificar a existência de problemas na mandíbula ou bruxismo
  • Pode valer a pena verificar se há problemas de visão – poderá ser possível resolver estas cefaleias por meio do uso de óculos!
  • Se as dores são relativamente frequentes, fazer um mapa da dor pode ser especialmente crucial para detetar padrões e antecedentes. Sempre que se tem enxaqueca, deve anotar-se num calendário, por forma a poder-se analisar mais tarde a frequência e intensidade das crises (a dor associa-se a que momentos? Horas de trabalho, falta de horas de sono, ansiedade, stress, hormonal, excesso de horas sem comer, mudança brusca da temperatura do meio ambiente, intensidade da iluminação do local…?). Este mapa serve para nós, mas também pode/deve ser partilhado com o/a médico/a de forma a personalizar o tratamento ao máximo.
  • Pode ajudar a compreender como é que a alimentação interage com a enxaqueca fazendo um diário da alimentação ao mesmo tempo do diário da enxaqueca
  • Algumas pessoas referem positivamente o efeito da acupunctura (e o NHS também).
  • Fiz alguma investigação em artigos científicos e também se referem indícios de que a osteopatia tem bons resultados nesta patologia.

É especialmente importante não desesperar. O sentimento de impotência e vulnerabilidade por vezes pode ser avassalador quando se tem dores de cabeça debilitantes muito tempo seguido. É importante sermos generosos/as connosco mesmos/as e aceitarmos que precisamos de parar, descansar, abrandar. É importante perceber que às vezes vamos falhar no trabalho e com os amigos por causa disto, mas que não é o fim do mundo porque a) é a verdade e b) a opção contrária gera mais stress e tem o potencial para tornar o processo de melhora mais lento ou mesmo para piorar as dores.

Se tiver outra sugestão, deixe comentário a este post!

Melhoras!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s