[Um ano artístico] Março

A primeira lição deste desafio talvez seja a mais importante de todas.

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Estive indecisa entre várias coisas quando decidi fazer deste o “ano artístico”, pensei fazer o “ano mindful”, o “ano da maratona” e várias outras opções que agora não vêem ao caso.

A opção por fazer deste um “ano artístico” teve que ver com uma opção mais por mim mesma e pela minha identidade, uma vez que sempre fui muito criativa e sempre fiz várias formas de arte, algo que nos últimos anos por um ou outro motivo acabou por ser suprimido e estranhamente tenho tido muita dificuldade em “regressar a mim”, que é como quem diz voltar a escrever, cantar, desenhar, fotografar, pintar ou whatever, como fazia anteriormente.

Este mês, então, comecei o desafio de 2017, cheia de vontade… Mas a verdade é que não cheguei a concluir nenhum projeto nem fui especialmente eficaz em nenhuma parte do processo. Tive uma ideia (que eu acho) ótima para a União Budista do Porto, mas o espaço mudou desde a última vez que lá estive, então a intervenção tem de ser diferente; não avancei com os planos de lançamento do meu livro em Lisboa e no cômputo geral fui pouco consistente com esta ideia ao longo do mês.

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Estava a refletir sobre isto e ocorreu-me o busílis da questão: sou uma workaholic. Admito, mundo. Eu chamo-me Helena Martins e tenho um problema.

De repente estava a refletir sobre este mês e dei-me conta que não tenho tido tempo para socializar há muito, e o resto da vida além do trabalho tem estado muito negligenciada.

Dei por mim a perceber que a criatividade precisa de ócio, precisa de coisas além da lufa-lufa da correria constante.

Refleti ainda que trabalhar muito não é o mesmo que produzir muito, e acima de tudo que não é o trabalho que é a minha “relação para a vida”, são as pessoas.

Fiquei mesmo “banzada” quando de repente olhei para mim própria e percebi de uma só assentada o que se estava a passar.

Tomei a decisão de parar de trabalhar às 18h sempre que não tiver aulas à noite. Se com isto começar a trabalhar todos os dias de madrugada, seja, mas tenho mesmo de ter tempo para fazer outras coisas, porque se calhar não tenho andado a ser tão boa amiga ou familiar como gostaria e isso é muito importante para mim.

Ao começar a fazer isto (err… comecei esta semana, por isso a experiência ainda é recente), descobri que consigo ter tempo para ir caminhar ao final do dia, para falar com as pessoas e até para organizar a minha casa (que tem andado caótica nos últimos meses).

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Artisticamente, também decidi que tenho de ser mais parcimoniosa com os projetos que escolho, por isso vou tentar focar mais no livro até ao final do ano (na verdade acho que este é um ótimo princípio em várias áreas…).

Estou um pouco ansiosa por sair da minha zona de conforto, mas ao mesmo tempo estou entusiasmada pelo que isto pode vir a significar para mim de um ponto de vista pessoal.

Vamos a isto!

 

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As minhas coisas artísticas preferidas este mês:

  • Workshop de Circle Singing com a Sofia Ribeiro
  • Concerto de “Nova música dos confins da rota da seda” em Serralves
  • Preparar o projeto para a União Budista do Porto
  • Série de TV “Veep” com a Julia Louis Dreyfuss

 

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