[D30D] um mês sem youtube – parte 1

Os primeiros 10 dias foram uma desgraça nesta missão. Aqui fica a sua crónica.

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Eu sabia que este não ia ser um desafio fácil, mas estava entusiasmada: se conseguisse redirecionar o meu tempo de youtube para outras coisas, seguramente seria uma pessoa um pouco mais feliz. É que há tanta coisa que não estou a fazer agora “por falta de tempo” que conseguir usar esse tempo para outras coisas seguramente irá aumentar felicidade e satisfação com a vida… Certo?

do more of what makes you happy

Comecei o desafio muito bem: dois dias inteiros sem youtube. E depois ao terceiro dia, estava com uma música na cabeça e decidi abrir o youtube para ouvir a música. Com a tab fechada funciona como um rádio, certo?… Mais ou menos… Em relativamente pouco tempo estava agarradíssima a ver o videoclip da música seguinte e depois da seguinte…

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Nesse dia consegui parar quando me apercebi do que estava a acontecer, mas no domingo à noite dessa mesma semana, a tentação venceu-me e selecionei alguns conteúdos de youtube para adormecer. A partir daí foi uma descida gradual mas constante no sentido oposto ao que eu queria fazer em outubro.

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Disse a mim mesma que precisava muito de acompanhar a eleição americana que é histórica e mantive-me ligadíssima no youtube (obviamente vendo muito além de política) e estava cada vez mais viciada, de forma muito pior do que tinha suposto inicialmente! Estava em tal grau de negação que estava já a pensar desistir do desafio, porque “não fazia sentido”, “eu não tenho um problema” e “vejo coisas com moderação”, “uso o youtube para descomprimir” e “na verdade até me faz é bem” e “é uma forma de ter ideias novas”.

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Apesar de estes argumentos me terem convencido algum tempo, nunca deixei de achar que estava mais “adormecida” neste tempo, que era menos mindful e que estava menos em contacto com a minha realidade. De facto o uso do youtube ajuda-me a lidar com a frustração, mas é um coping paliativo, não faz nada para lidar com as coisas que me frustram, apenas com a minha consciência das mesmas. No fundo, é uma estratégia “avestruz” na medida em que eu só tapo o problema com a peneira: nada resolvo, mas também não me chateio.
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A 1/3 da jornada, tive uma enxaqueca como já não tinha havia algum tempo e achei que estava relacionada com o facto de andar a adormecer e a acordar a ver clipes de youtube e a não conseguir “desligar” e decidi finalmente que tinha de voltar à missão de eliminar o “uso recreacional” do youtube. Isto é, há situações em que o youtube me ajuda na investigação, porque me permite assistir a uma conferência, etc., mas esmagadora parte do tempo não é para isso que eu o ligo.

Então decidi que podia acompanhar a eleição norte americana através do facebook e de sites de notícias e voltei à carga neste desafio. Mesmo o visionamento de conferências pode ser feito a partir de vídeos descarregados da internet, não precisa de ser diretamente do youtube.

O meu foco agora é restabelecer hábitos e alternativas ao uso de youtube para relaxar e descomprimir.

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