[um ano sem televisão] novembro

Na primeira semana de novembro percebi com algum desalento que tinha praticamente voltado à estaca zero em outubro. Consegui muito mais rapidamente voltar a esta “missão”, mas ficou bem claro que a adição é real e que a qualquer momento é fácil voltar a cair nesta “esparrela”

Woman Waisting Time on Facebook

No início do mês, depois de um outubro “assassino”, vi rapidamente na minha agenda a oportunidade de fechar os 3 projetos mais importantes deste ano em apenas 3 semanas (um por semana). Qual não foi o meu espanto ao recomeçar o trabalho focado, quando me apercebi que estava completamente viciada em séries/tv novamente. Tudo antes de começar tinha de ter um preâmbulo de “só 5 minutos” que depois passava para tempo sem conta a procrastinar com coisas no youtube.

Tendo tido já a experiência de sair deste ciclo, sabia bem que não seria fácil – mas desta vez tinha outras ferramentas ao meus dispor.

O que verifiquei foi que não ver séries/tv não significa não procrastinar, mas sim procrastinar com mais qualidade, na medida em que acabo por produzir sempre qualquer coisa quando não fico passivamente agarrada ao pc, seja arrumar uma gaveta, cozinhar qualquer coisa, limpar a casa, escrever postais, organizar os documentos do meu pc ou responder a emails. Não ver tv/séries significa não fugir da realidade e isso tem um impacto muito considerável.

Não obstante, esta evolução não foi fácil nem imediata. Apesar de ter já desenvolvido estratégias de coping com a frustração no último ano, e ter vários recursos alternativos, há muitos anos de maus hábitos a combater ainda, e a primeira coisa que acabo por fazer sempre é começar por ligar o youtube e começar a ver vídeos. Isto acontece independentemente de eu saber que é mais útil ouvir um audiolivro enquanto faço outra coisa qualquer (nem que seja origamis), mesmo do ponto de vista do desenvolvimento pessoal (ando a ouvir todos os livros da Brené Brown e são *ó-ti-mos*).

O que acontece é que ainda agora quando quero “desligar o cérebro” é nisto que penso primeiro: vou ver uma série/filme.

No final do mês, depois de entregar o que espero que sejam as últimas correções à minha oreintadora (estou ainda à espera de feedback para mandar imprimir!) tive uma bonita enxaqueca de 3 dias que significou  voltar a ter televisão (filmes e não séries de TV, pelo menos) como fundo, como sempre. Neste caso acaba por ser um paliativo para me ajudar a lidar com o facto de que eu fico completamente incapacitada, mas ao mesmo tempo, acaba por ser uma coisa que engatilha na outra e eu não consigo largar a atividade. Além do que eu tenho as minhas suspeitas de que não seja um hábito nada terapêutico nestas situações, por muito que me ajude a lidar com o tédio de não poder fazer nada.

O que eu acho é que continua a ser uma ferramenta de fuga ao presente (no caso dos últimos 3 dias com dor de cabeça) mas depois se expande e eu tenho dificuldade em regressar…

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As vantagens do silêncio

Para me impedir de “cair em tentação” proibí-me de ir de todo ao youtube no início do mês. O mal cortado pela raíz. Claro que eu usava o youtube também para ouvir música quando estava a fazer tarefas chatas ou aborrecidas, o que fez com que eu voltasse a uma ideia que já tinha surgido em março de promover e trabalhar (n)o silêncio.

O silêncio tem várias vantagens, por muito que a nossa cultura lhe seja fóbica (“um sítio silencioso sem música ambiente? credo!”). O silêncio permite-nos estar mais atentos ao nosso redor e estar mais no momento.

No último mês do ano vou voltar a fazer meditação todos os dias; acreito que treinar o silêncio interior me vai ajudar a lidar com o silêncio exterior.

Por outro lado, agora que terminei (esperemos) o doutoramento, acho que também pode ser importante ter pelo menos um dia por semana em que não faço nadinha de útil para a sociedade ou pelo menos nada de trabalho.

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